Entrevista sobre feminismo: saindo do previsível

Olá pessoal! Semana passada fui entrevistada, pois queriam saber como eu me posicionava diante do feminismo. Fiquei muito grata pela oportunidade, até porque poucos tem acesso a visões diferentes do que é divulgado normalmente pela mídia e muitas mulheres que pensam como eu acabam não tendo voz.
(Acesse a reportagem aqui.)

Como minha fala na reportagem foi abordada de forma superficial e incompleta, decidi tentar escrever na íntegra o que falei para a jornalista durante a nossa conversa:

O primeiro ponto que precisamos entender é que homem e mulher são iguais em dignidade e, como tais, precisam ser valorizados e respeitados. Mas existe algo específico em ser homem e em ser mulher, ou seja, há diferenças em relação a sua natureza, algo que é próprio a cada um dos sexos e que os fazem ser o que são. Além disso, precisa-se lembrar que ser diferente não implica em ser melhor ou pior. Na verdade, são exatamente essas diferenças que trazem uma maior riqueza para a sociedade à medida que cada um dos gêneros contribui com aquilo que lhe é próprio: o homem a sua masculinidade e a mulher a sua feminilidade.

Entre as características próprias femininas poderia destacar a delicadeza, a generosidade, capacidade de intuição, tenacidade… Além da maternidade que é tão mal compreendida. Dizer que a maternidade é própria da mulher não é dizer que toda mulher vai ser mãe biologicamente falando, mas que ela tem a potencialidade única de dedicar um amor maternal ao próximo, ainda que esse não seja necessariamente seu filho. E que é essencial que ela exerça algum tipo de maternidade. Em um pensamento mais matemático, diria que a maternidade está para a mulher, assim como a paternidade está para o homem.

Vale ressaltar ainda que aqui não se trata de dizer que hajam tarefas exclusivas para a mulher ou para o homem, mas que pode haver sim uma maior inclinação de cada um dos sexos à atividades específicas por conta de suas peculiaridades. Parece coincidência que haja uma maior procura de cursos como nutrição ou enfermagem por mulheres e de curso como engenharia da computação ou física por homens? Há pesquisas que tratam disso e mostram que não é por acaso.

Certo, mas onde entra o feminismo aí?

O feminismo, em contrapartida, prega uma emancipação da mulher a todo custo, inclusive, descartando características suas se for preciso. Isso porque a ideologia feminista comete um equívoco ao reduzir todas as distinções sexuais entre o homem e a mulher a um fruto da desordem do mundo material, ou seja, como se fosse resultado de um sistema gerido pela ideologia patriarcal ou algo assim, enquanto muitas dessas diferenças são naturais, tanto biológicas como psicológicas.

De uma maneira resumida, diria que a visão feminista é falha por se limitar apenas ao plano material, enquanto os problemas da desvalorização da mulher são de ordem moral.

Nesse sentido, o feminismo foi a resposta errada ao machismo por, ao tentar combatê-lo, ter transferido posicionamentos errôneos dos homens às mulheres. Digamos, desse modo, que o feminismo acabou buscando nivelar a sociedade por baixo (pelo menos moralmente).

Para entender melhor isso, vou dar um exemplo:

Em um ideal machista um homem poderia sair “pegando todas” e não assumir a responsabilidade de um filho caso não fosse desejado ou coisa do tipo. Diante disso, vem o feminismo e diz: ah, se o homem pode fazer isso, nós também podemos… mulheres ignorem o que a sociedade diz e saiam com quantos vocês quiserem e, se engravidarem, podem se livrar do seu filho também.

Conseguem ver quão cruel é esse pensamento? Porque você simplesmente pega algo que era ruim do homem no machismo e aplica agora também na mulher que, nesse exemplo, é a falta de respeito e responsabilidade consigo e com o próximo. E isso pode trazer danos horríveis para a sociedade.

A melhor resposta contra o machismo, em vez disso, seria então revelar e ressaltar as VIRTUDES HUMANAS tanto do homem quanto da mulher. Procurar que ambos guiem suas atitudes de forma ordenada, sempre reconhecendo o valor um do outro.

Desse modo, ser contra o feminismo não significa ser a favor do machismo, ignorá-lo ou negá-lo, mas simplesmente reconhecer que a forma com que o feminismo o tem encarado, longe de ser benéfica, pode ser danosa para a sociedade e para a própria mulher. Significa achar, assim, que a verdadeira solução deve ser promovida de uma forma diferente, que seria a promoção de virtudes.

Além disso, deve ficar claro que nem todas as pautas que as feministas avocam para si são propriamente delas. Exemplo óbvio disso é a luta contra a violência da mulher e o estupro (sério, não faz menor sentido uma pessoa acusar a outra de ser a favor de coisas como essas só porque não é feminista). Não precisa ser feminista para se posicionar contra e querer punir quem faça atrocidades como essas, precisa só de bom-senso mesmo. Há, por exemplo, religiões que lutam contra isso há séculos e nem por isso podem ser consideradas uma forma de feminismo, até porque surgiram bem antes dele.

Outro erro comum (e absurdo também) é acharem que ser conservador é ser machista. Uma coisa nada tem a ver com a outra, até porque uma das bases do pensamento conservador é reconhecer a constância da natureza humana e buscar uma ordem moral que melhor se aproxime do ideal. Ora, o machismo é uma distorção da natureza masculina e uma aberração social, logo o verdadeiro conservadorismo deve combatê-lo ao invés de endossá-lo! (nesse momento a jornalista fez algumas perguntas que respondi com exemplos pessoais, falando que estou inserida em um meio conservador e nunca vi algum de meus amigos a bradar algo contra mulheres ou seus direitos e muito menos se posicionarem a favor do machismo. Citei até a questão da redação do enem que foi bem recebida por muitos, enquanto não entendia a posição de algumas pessoas que postavam no face expressões como “chupa conservadores” ou falavam como se eles fossem a favor da violência contra mulher.)

Mais adiante, ressaltei que o feminismo atualmente é ditado por uma agenda puramente política que tem como base o pensamento socialista. E, por conta disso, utiliza-se de uma propaganda de igualdade para ir minando a própria identidade do ser mulher e desestabilizar a família, pois isso faria parte da reengenharia social pregada por eles. O resultado disso, infelizmente, têm sido mais mulheres frustradas ou depressivas principalmente ao chegarem em idades mais avançadas.

Quando falei do blog, disse que nós trabalhávamos com a promoção de uma virtude específica, que é a modéstia, e que seria interessante que outras pessoas, tanto homens quanto mulheres, também se interessassem por criar meios de estimular virtudes na sociedade. E que um fato bem legal é que quando se busca uma virtude, inevitavelmente vai se conquistando outras, porque elas estão interligadas.

Outra proposta do blog seria, também, lutar contra qualquer atitude de revolta – existente na sociedade e alimentada pelo feminismo – em relação àquilo que seria próprio da mulher e, ao invés disso, mostrar quão grandioso e belo é ser feminina, como isso nos faz realizadas e felizes sendo, simplesmente, mulheres.

Ao longo da entrevista a jornalista também perguntou minha opinião sobre pautas específicas do feminismo, mas acho interessante abordá-las em uma postagem posterior para que não fique informação demais em um só texto. De qualquer forma, espero que tenha conseguido deixar minha ideia mais clara escrevendo a parte inicial da entrevista por inteiro. 🙂

d52f2d9c05c8d6233d3a47b831168b51 Postado por Letícia Braga.

6 comentários sobre “Entrevista sobre feminismo: saindo do previsível

  1. thiago disse:

    Olha tu tem uma boa visao, mas ainda assim deturpada do que é o machismo.

    O que tu tem por definiçao do machismo, foi criado pelos feministas.
    Machismo é a honra e exercicio da caracteristicas naturais do homem. É reconhecer que homens e mulher sao diferentes biologicamente.

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    • missmodestia1 disse:

      Caro Thiago. O machismo é uma realidade que vem das próprias sagradas escrituras: “e o homem te dominará” essa é a entrada que o papa João Paulo II cita quando correlaciona o machismo ao pecado original. Ser viril não é ser machista. Estimulamos a plena virilidade, mas o machismo é o exercício de inferiorização da mulher que não condiz com qualquer verdade cristã. Muito pelo contrário, perante Deus somos iguais em dignidade (encíclica Mulieris Dignitatem), somos igualmente filhos de Deus. Desde os primórdios, parafraseando o próprio Santo Padre, o homem teve uma tendência de desequilibrar na dominação, faltando assim com amor, sendo, então, machista. Tudo bem que a palavra machismo criou uma conotação cultural forte e pejorativa, mas extraindo seu sentido original, não se pode negá-la.

      Em suma: não se pode negar a realidade do machismo, assim como não se pode negar a realidade do feminismo. O mais difícil, e convido o senhor a fazer isso, é estudar os desfalques de ambos os lados e criar um veredito.

      Att,

      Mirella.

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