Por que ser virtuoso?

Em um primeiro momento, questionar-se “por que ser virtuoso” pode parecer uma pergunta tão retórica quanto “por que fazer o bem”. Entretanto, dentro da perspectiva difundida atualmente, percebe-se a sutil tendência de se considerar a busca pelas virtudes como algo ultrapassado ou desnecessário, quase como se ela fosse uma afronta à espontaneidade – que, por sua vez, tem sido um valor superestimado. É como se o bonito fosse ser o mais “descolado” possível, que ser bruto e usar palavras de baixo calão é cool se isso te faz parecer mais engraçado ou que o bom é ter “sucesso” sem ter trabalho. Poderia enumerar aqui tantos outros exemplos, inclusive no campo da moda, em que o vício tem sido exaltado ao invés da virtude, mas o foco é demonstrar que, ao contrário do difundido pelo senso comum, vale a pena ser virtuoso…

Se eu fosse definir as virtudes em uma palavra, a chamaria de qualidades, pois se tratam de características que nos tornam melhores e nos capacitam a viver mais harmoniosamente em sociedade. Assim, querer ser virtuoso nada mais é do que buscar fazer o bem e dar o melhor de si.

Ademais, a virtude pressupõe que a pessoa seja livre. Quando age, o homem tem a capacidade de escolher se levar por um vício ou por uma virtude. Em um primeiro momento, agir virtuosamente pode demandar bem mais esforço, já que nos faz vencer uma má inclinação – como alguém que  quer cumprir o dever no momento devido, enquanto a tendência é de se deixar levar pela preguiça e postergá-lo. E, por isso, poder-se-ia ter a  falsa impressão de que essa busca contrapõe a espontaneidade, enquanto, na realidade, ela contrapõe aos nossos defeitos.

3e8260b9d9a4057d55cdbc06517214baSer bom, honesto, verdadeiro, justo, humilde, caridoso, fiel é reconhecer o valor que há em agir virtuosamente e, por outro lado, a repugnância de se envolver em atos ilícitos e desonestos. Se tal disposição está profundamente radicada em mim, mesmo que surjam ocasiões para praticar atos ilícitos, será bem fácil reconhecer que tais ações seriam más e, portanto, não devem ser realizadas.

É importante perceber que ao longo do tempo, a depender da escolha que fazemos – viciadas ou virtuosas -, nossa própria personalidade vai sendo configurada de acordo com os hábitos adquiridos. A originalidade se expressará na nossa singularidade a medida que vamos configurando as virtudes frente a nossa própria personalidade, ou seja, vamos agindo corretamente sem deixar de lado nossas características particulares.

Por que, então, ser virtuoso? Porque as virtudes apontam, enquanto qualidades, para o dever ser do ser humano em sua maior plenitude. Tanto mais estaremos realizados em nossa singularidade, quanto mais estivermos dispostos a lutar constantemente por conquistar e manter essas virtudes. E tanto mais a sociedade conseguirá manter-se harmonicamente, quanto mais pessoas virtuosas existirem.

Por fim, é preciso ter em mente que não se trata apenas de ter virtudes, muito menos de parecer ter virtudes, mas de ser realmente virtuoso, o que mais fala de um processo construtivo -uma luta constante e incessável – do que de um estado.

Por Letícia Braga

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s