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Dica de leitura: Pobreza e Grossura – Olavo de Carvalho

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Olavo de Carvalho é uma figura polêmica. Sua forma de se pronunciar, sobretudo nas redes sociais, divide opiniões: há quem o ame e quem o odeie. Sabendo o que sei hoje, a segunda opção é impossível. Eu o considero um mestre no sentido original da palavra em latim, magister, derivada do advérbio magis, que significa “mais que”. O mestre, na Roma antiga, estava acima dos outros por seus conhecimentos e habilidades, e era quem instruía os aprendizes, seja militarmente, em conhecimentos sobre cavalaria, ciências, filosofia etc.

Este homem, além da enorme quantidade de conhecimento acumulado, tomou para si a tarefa hercúlea de instruir e formar uma elite cultural no Brasil, e o faz com maestria há décadas. Por ter denunciado a doutrinação cega e o desaparecimento do estudo sério no país, sobretudo nas universidades, foi posto na lista negra da intelligentsia nacional; que, cientes de não possuírem a capacidade de refutá-lo, preferiram calar a seu respeito, boicotando seus trabalhos, relegando-o para que sua obra caísse no esquecimento. O professor mudou-se para Virginia – EUA e, de lá, continuou sua tarefa de denúncia do mau-caratismo de seus opositores e de formação dessa elite intelectual e cultural. Por isso, é considerado por muitos o pai da nova direita nacional.

Como já disse, considero-o um mestre. Através dele, pude conhecer a obra de Eric Voegelin, Hugo de São Vitor, Ludwig Von Mises, José Ortega y Gasset, Mário Ferreira dos Santos, Viktor Frankl, José Geraldo Vieira e outros, tantos outros. Para ele, o ser humano só chega a fazer verdadeira filosofia quando se confronta com a realidade, seus problemas concretos e, munido do conhecimento produzido pela elite intelectual mundial, consegue analisar corretamente os dramas humanos. Você pode até não gostar dos palavrões que ele diz aos montes, seu hábito de fumar e sua agressividade (sempre justa, é preciso que se diga) com os adversários, mas, se der uma chance à sua obra, mesmo que a uma ínfima parte dela, compreenderá que, goste ou não goste, ele é um ser digno de respeito e admiração.

A dica que dou hoje é de um texto escrito para a Bravo! em 2000, Pobreza e Grossura. É um breve ensaio sobre a dignidade humana, mesmo diante da pobreza, e a obrigação moral que temos de ajudar a todos, sobretudo aos mais necessitados. Foi meu primeiro contato literário com o material de Olavo de Carvalho e me fez ver a docilidade por trás da figura que tinham montado dele. Como podia um homem que escreveu com tanto amor sobre a caridade e a necessidade de ajudar o próximo ser tão grotesco quanto diziam? Não, algo estava errado, e era o preconceito que eu tinha a seu respeito. Esse texto me tocou, e eu, humildemente, o sugiro agora a vocês, como sugiro, também, toda a seção “Pobreza”, contida em O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota. Eis aí um trecho do artigo:

“Vocês querem educar o pobre “para a cidadania” e começam por lhe negar o direito de gastar o próprio dinheiro como bem entenda? Querem educá-lo sem primeiro respeitá-lo como um cidadão livre que atormentado pela miséria tem o direito de encher a cara tanto quanto o faria, mutatis mutandis, um banqueiro falido? Querem educá-lo impingindo-lhe a mentira humilhante de que sua pobreza é uma espécie de menoridade, de inferioridade biológica que o incapacita para administrar os três ou quatro reais que lhe deram de esmola? Não! Se querem educá-lo, comecem pelo mais óbvio: sejam educados. Digam “senhor”, “senhora”, perguntem onde mora, se o dinheiro que lhes deram basta para chegar lá, se precisa de um sanduíche, de um remédio, de uma amizade. Façam isso todos os dias e em três meses verão esse homem, essa mulher, erguer-se da condição miserável, endireitar a espinha, lutar por um emprego, vencer.”

Esse texto pode ser facilmente encontrado na internet (aqui) e foi reproduzido em O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota. A seção Pobreza é composta de outros três ensaios: Aprendendo com o dr. Johnson, Direitos e pobreza e Um paralelo entre Eric Voegelin e Lula.

Deus nos abençoe sempre,

Ana.

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