Consumo consciente – Guarda-roupa compartilhado

A moda integra uma das grandes indústrias responsáveis pela degradação do meio ambiente. O cuidado quanto ao estilo, cor, tecido e design é comum e forte no consumidor. Mas, na maioria dos casos, o mesmo não compreende o universo por trás dos cabides. Em resumo, o real impacto de nossas escolhas no consumo de vestuário quase nunca é ponderado.

Alterar a forma como as roupas são ofertadas e usadas possibilita diminuir o volume de peças que temos no guarda-roupa, sem deixar de atender as nossas necessidades. Uma das formas de produzir isso é ir do modelo tradicional de “possuir” roupas para o modelo baseado em “alugá-las”.

No momento em que uma peça é alugada, o consumidor compra sua utilidade ou os resultados que oferece (estilo, conforto, exclusividade, e assim por diante), em vez do item material em si. Um dos exemplos mais frequentes de aluguel de roupa é o dos trajes formais, como um vestido de festa. Neste caso, o consumidor aspira a elegância emitida pela peça, não a posse definitiva dela.

Esse breve distanciamento do uso individual em direção a utilização compartilhada tem a capacidade de minimizar a quantidade de peças confeccionadas. Desta forma, os sistemas de aluguel operam para romper a relação predominante de “uma peça para uma pessoa” que descreve a maior parte das nossas experiências de uso das roupas. A ideia é ampliar o número de consumidores desfrutando de uma peça para que os recursos que a compõem sejam aproveitados ao máximo. Essa relação pode ser transformada a partir do momento em que uma pessoa se desvincula de um item adquirido, seja vendendo, alugando ou fazendo uma doação.

O compartilhamento de roupas – conceito da economia colaborativa, que segue ao encontro do consumo consciente – torna-se gradativamente forte. Considerando essa lógica, cada vez mais aparecem projetos de guarda-roupas compartilhados que operam como lojas. O modelo de negócio é geralmente comparado a um “Netflix de roupas”. O consumidor paga uma assinatura mensal para ter acesso a todas as peças do acervo, seleciona os itens conforme o plano escolhido e assume o compromisso de devolvê-los limpos no prazo estabelecido. Existe, também, um sistema semelhante, onde as roupas circulam por meio de trocas e o cliente pode adquirir as peças.

Selecionamos algumas lojas que trabalham com o sistema de guarda-roupa compartilhado. Confiram!

BLIMO – Biblioteca de Moda (São Paulo/Santos): A BLIMO oferece o serviço de guarda-roupa compartilhado mediante uma assinatura mensal onde o prazo é determinado pelo cliente e a cobrança realizada na data em que foi feita a adesão, caso a assinatura seja cancelada não há multa. Possuem também a opção de locação de peças avulsas. O cliente pode permanecer com as roupas durante o período de até dez dias ou trocar de peças conforme estabelecido no plano escolhido. A BLIMO Santos oferece uma assessoria no qual o cliente pode combinar suas peças com as do acervo da loja. As opções de planos são diferentes da unidade de Santos, a loja a aceita doações em troca de aluguel avulso e aluga vestidos de festa.

Site: https://www.blimonline.com.br/

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Moeda de Troca (São Paulo):  A Moeda de Troca é um clube onde os associados trocam roupas entre si por meio de um sistema de pontos que funciona como uma moeda virtual. Para utilizar o serviço da loja o cliente deve contratar um pacote de acesso no qual permite o cadastramento de suas peças, o mesmo define a pontuação de cada item e tem um prazo de até noventa dias para realizar as trocas. As roupas ficam disponíveis e quando alguém as adquiri, o cliente acumula pontos em seu cartão de associado para aquisição, bem como, no momento da avaliação. Os planos definem quantas peças podem ser cadastradas e os pontos não expiram, podendo ser usados sempre que o pacote estiver ativo. Após o período de doze semanas o associado recebe 50% do valor em pontos caso as peças não sejam adquiridas. O acervo conta com roupas femininas, masculinas, infantis e acessórios.

Site: http://mdetroca.com.br/

Brilhe e compartilhe (São Paulo): A Brilhe e Compartilhe promove o compartilhamento de vestidos de festa e também os serviços de venda e aluguéis a preços fixos. Basta fotografar o vestido de festa que deseja desapegar e enviar para o e-mail indicado com a data de compra e tamanho, a peça será avaliada por uma consultora de moda e o retorno será feito em até sete dias. Após a aprovação basta agendar um horário para levar os vestidos até a loja e acertar todos os detalhes do contrato. A cliente ganha um voucher sempre que sua peça for compartilhada ou vendida, podendo ser trocado em roupas casuais vendidas pela Nikkey Formosa ou em desconto nos vestidos de festa.

Instagram: @brilheecompartilhe

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Por Helen Felix

Modéstia é um estilo de vida, não um estilo de roupa

Não raramente, quando nos interessamos pela virtude da modéstia e decidimos nos debruçar sobre o assunto, encontramos uma infinitude de material a falar sobre as vestes. No entanto, por mais que nossas vestimentas importem, acabaríamos por empobrecer a modéstia, uma virtude tão nobre, se a restringíssemos apenas a isso.

A modéstia, por definição, está estreitamente relacionada com a temperança e diz respeito a moderação dos atos exteriores – gestos, palavras, olhares, vestimentas, etc. Ora, a forma como nos comunicamos com o restante do mundo depende de nossos atos exteriores. Logo, a forma como vivemos ou não a modéstia demarca grandes traços de nossa personalidade e, por assim dizer, do nosso estilo de vida.

Não sei se faz sentido para vocês, mas dito isso, uma abordagem que resuma a modéstia a uma série de regrinhas sobre vestimenta, não parece ter entendido ainda com profundidade o que ela significa.

É claro que faz parte da modéstia conhecer os limites e desejar permanecer dentro deles, inclusive em relação a roupa. Também é sabido que, pelo bom-senso e prudência adquiridos pela virtude, construímos melhores critérios sobre, por exemplo, até que ponto altura uma saia ou tamanho de um decote está apropriado ou não. Mas perceba: isso deve ser apenas um dos pontos de mudança e não a sua totalidade. O desenvolvimento de critérios cada vez mais confiáveis faz parte de um processo de amadurecimento como um todo e não pode ser resumido a meras regrinhas.

Faço um parêntese aqui para observar que esse grande enfoque na vestimenta se assenta na motivação genuína de que seria necessário reforça-la frente a uma sociedade desregrada como a nossa. Um sociedade onde o senso de pudor foi de tal forma desconstituído, desestimulado desde a terna infância, que para muitas pessoas – homens ou mulheres – é praticamente impossível compreender a importância da modéstia e, consequentemente, desenvolver critérios minimamente sensatos.

O intento desse texto não é, portanto, criticar que muito se tenha falado sobre vestimenta quando o assunto é modéstia – até porque nosso próprio blog Miss Modéstia tem dado esse enfoque –, mas sim alertar que a modéstia não se resume a isso. Quem está disposto a viver a modéstia com seriedade, tem que ter ciência de que só se é possível quando aliada com a busca de várias virtudes conjuntas e que isso impacta sua vida como um todo. Estamos falando aqui da sua forma de se relacionar com o próximo, como conduz suas amizades e relacionamentos, os ambiente que você frequenta, etc. Você está disposto?

Se sim, proponho primeiro é que você faça uma autoanálise sobre a motivação que leva você a querer viver a modéstia. Qual sua intenção? Se a resposta for algo do tipo “porque quero ser aceito em determinado grupo”, “porque mandaram”, “porque me sinto bem”, “porque me sinto bonita”… Sinto dizer que essas motivações podem até ser um bom ponta pé inicial, mas são medíocres, insuficientes.

É preciso mais. É preciso regenerar nossa intenção (continuamente), pois antes de viver uma modéstia externa, é fundamental viver a modéstia interna. Até porque o ato exterior é decorrente do ato interior da vontade. Quão paradoxal seria, por exemplo, viver a modéstia por vaidade. Ou quão superficial seria buscá-la por conveniência.

A principal motivação deve ser apenas uma: o amor. Sim, pode soar um tanto trivial, mas é exatamente isso. A modéstia, assim como a castidade, só faz sentido quando direcionadas à vivência da caridade: uma busca pelo amor ordenado e purificado do egoísmo, que inclina-se à doação perante o ser amado. Quando assim assimilada, a modéstia implicará, então, em um processo de aquisição do domínio de si.

Na realidade, o modo como vivemos a modéstia, antes de qualquer outra decorrência, diz muito sobre a nossa forma de amar. É sobre este ponto que pretendo discorrer melhor no próximo texto. Até breve!

Descobrir-se

As lembranças que tenho da moda e do jeito de me vestir são da infância. Ainda com um corpo magricelo, eu era uma menina que gostava de cores fortes, principalmente o vermelho. Quando ganhava algo nessa tonalidade, ficava bastante feliz.

Fui crescendo, ganhando curvas e engordando. Normal, né? Mas ao contrário do que se esperava, eu comecei a ter certa aversão por moda. Me achava fora dos “padrões” impostos.

Daí, surgiram várias “sugestões” para que eu estivesse em voga: piercings no umbigo, barriga de fora, top cropped e os decotes com tule. Mas sabe quando você nunca se sente à vontade com alguma roupa?

Na adolescência, por influência, ainda ensaiei vários looks desagradáveis para mim e lindos para os outros. Me achava apertada, ficava puxando a roupa, o tempo todo incomodada. Até sentindo uma espécie de vergonha ao me “mostrar” com aquelas vestimentas.

Com o tempo, fui me conhecendo e reconhecendo aquilo que eu realmente gostava. E principalmente, como eu queria que as pessoas me vissem. Definitivamente detesto decotes. Não porque alguém me disse que é errado usar… É simplesmente porque me sinto mal ao usar. Sinto que estou sendo olhada de uma maneira que rechaço. A sensação é de que estou sendo alguém que não conheço.

O que quero dizer com esse texto, meninas, é que não tem nada de errado em não seguir modas ou influências. Também não é para deixar de ser cuidar. O que realmente é importa é se descobrir e identificar quem você é e o que você deseja para si.

Chega de se importar apenas com a opinião dos outros! Se olhe hoje no espelho e tente refletir sobre sua verdadeira identidade. É hora de olhar pra si e realmente colocar quem você é para fora!

Se você se identifica com o texto, manda mensagem para a gente 😀

Hayanne

Processo de desenvolvimento de Coleção – TCC de Moda Festa inspirado no Biodesign do Pau-Brasil

Olá, Misses!

Hoje vou compartilhar com vocês como foi o processo de desenvolvimento do meu TCC, espero que gostem e sirva como inspiração!

O meu projeto foi uma coleção de moda festa inspirada no biodesign do pau-brasil. A primeira etapa consistiu na busca por referências ligadas ao biodesign, tanto do pau-brasil, quanto de estilistas que tomaram a natureza por inspiração.

Visando conhecer a espécie mais a fundo, realizei pesquisas de campo e na internet. Visitei a trilha do pau-brasil, situada no parque da água branca, e lá foi possível conhecer a história da árvore, observar os diversos estágios de crescimento e comparar com as outras árvores plantadas em alguns pontos da cidade, bem como com as imagens coletadas em sites.

Pesquisa em mãos, o próximo passo foi definir como o pau-brasil ganharia vida nesse projeto e quais seriam os recortes a serem utilizados. O trabalho manual foi escolhido para representá-lo, dando um caráter único a cada peça. Já o tronco, as folhas e as flores foram as três referências selecionadas para trabalhar.

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Quando jovem, o tronco possui acúleos (falsos espinhos), que recobrem também os galhos, mas diminuem sensivelmente com a idade da planta. Na fase adulta, esses acúleos destacam-se com a queda de placas da casca. Os estágios foram representados buscando retratar as características mais marcantes de cada um.

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Há indicações da existência de pelo menos três variedades da Caesalpinia echinata Lam no Brasil, que se diferenciam basicamente pelo tamanho das folhas. As espécies foram traduzidas pelo tamanho das folhas, quantidade de folíolos e pinas.

As flores do pau-brasil são amarelo-ouro e cada uma possui cinco pétalas longas, sendo que em uma das fases apresenta uma mancha vermelho-púrpura. Elas foram bordadas de acordo com a quantidade de pétalas, formação e exibindo o traço que visualmente as diferenciam das outras espécies – a mancha.

Além do biodesign, a coleção foi planejada com base em uma identidade de marca, que visa à produção de peças únicas, distintas e versáteis, compondo a beleza da mulher feminina em diversas ocasiões especiais. Sendo assim, a escolha da matéria-prima utilizada e todo o processo de criação foram feitos para conceber roupas que se diferenciassem das oferecidas atualmente, como proposta de uma moda festa que não entrasse em desuso rapidamente, mas estivesse presente em muitos momentos, assim como outras peças especiais existentes no guarda-roupa feminino.

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A pesquisa de materiais, fornecedores, desenhos dos modelos e bordados e todo o processo de confecção fazem parte das etapas onde as ideias saltam do imaginário e começam a tornar-se realidade.

Assegurando a proposta de versatilidade, a cartela de cores foi definida considerando as preferências no segmento de moda festa, já os vestidos de comprimento longo, como costumam ser marcantes, foram confeccionados com acessórios bordados, podendo ser retirados, usados de outras formas ou até mesmo em outros modelos.

Essa coleção é uma homenagem ao Brasil, mais especificamente à árvore que deu nome ao país. Foi um processo de rico aprendizado, tanto sobre criação e desenvolvimento de moda festa, quanto ao Brasil, suas histórias e o quão é inspirador.

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Gostaram de saber como funciona a criação de uma coleção e sobre o pau-brasil? Estou à disposição para esclarecer qualquer dúvida quanto ao processo e sobre a pesquisa acerca do pau-brasil.

As peças estão à venda, caso tenha interesse é só entrar em contato por meio do e-mail atelierf18@gmail.com.

Por Helen Felix

Encontro Miss Modéstia em SP: dignidade e beleza na moda

No último sábado, dia 24/02, o blog Miss Modéstia, em parceria com o Centro de Estudos Jacamar, promoveu seu primeiro encontro em São Paulo, em que pude falar um pouco sobre os valores de dignidade e beleza na moda, além de abordar algumas dicas práticas para se vestir melhor!

A proposta da abordagem era falar de como moda propõe, mas que somos nós que dispomos, no sentido de que a moda, como sinalizador das tendências predominantes em uma determinada época e cultura, não é algo necessariamente bom ou mal, o que dirá isso são os valores e ideais que estão representados por meio dela. Por isso, cumpre a cada uma de nós ter consciência de nossas escolhas dentre o que proposto pela moda. Não se trata nem de aderi-la por completo e nem ir de encontro com suas propostas, mas sim se ter critérios claros na hora de escolher e ser coerente com aquilo que acreditamos.

Em seguida, falei um pouco do imenso valor do ser humano, o que se exprime em termos de dignidade humana. Com alguns exemplos concretos tentei mostrar que essa dignidade se revela pelo nosso ato da amar, sendo o pudor um dos salvaguardas desse amor enquanto purifica e retifica nosso sentimento/intenção. Além disso, tratei um pouco da importância da beleza para nossa realização. De modo que, ao final, quis deixar claro como esses valores são essenciais de serem considerados na hora de pensar no que vestir.

 

Superada a parte mais teórica, levei algumas dicas práticas para ajudar a escolher roupas e vestir-se no dia-a-dia. Nesse sentido, abordei um pouco sobre estilos, formatos dos corpos, truques para deixar o look mais harmonioso e cores. Momento em que contei amplamente com a participação das meninas que estavam presentes, que não só perguntaram como acrescentaram comentários pertinentes a apresentação.

Enfim, nosso primeiro encontro foi um sucesso! Apesar de contar com um público seleto de meninas, acredito que foi extremamente engrandecedor para cada uma de nós, o que me faz agradecer novamente pela participação e colaboração de todas.

Divulgação: Encontro Miss Modéstia em 24/02

Olá, pessoal!! Nosso blog tem a honra de convidar vocês para mais um evento cuidadosamente pensado para colaborar com nossa formação no campo da moda!

Dessa vez, o encontro será em São Paulo capital e falaremos sobre a Beleza e Dignidade na Moda, tema extremamente interessante e que pode nos ajudar bastante a viver melhor a virtude da modéstia no vestir.

O evento será na tarde do próximo sábado (24/02) promovido em parceria com o Centro de Estudos Universitários Jacamar que nos disponibilizou o local.

Segue abaixo a propaganda para divulgação. Contamos com a presença de todas nossas seguidoras paulistanas!!!

 

 

 

Para saber o que rolou no encontro acesse aqui!