Consumo consciente – Guarda-roupa compartilhado

A moda integra uma das grandes indústrias responsáveis pela degradação do meio ambiente. O cuidado quanto ao estilo, cor, tecido e design é comum e forte no consumidor. Mas, na maioria dos casos, o mesmo não compreende o universo por trás dos cabides. Em resumo, o real impacto de nossas escolhas no consumo de vestuário quase nunca é ponderado.

Alterar a forma como as roupas são ofertadas e usadas possibilita diminuir o volume de peças que temos no guarda-roupa, sem deixar de atender as nossas necessidades. Uma das formas de produzir isso é ir do modelo tradicional de “possuir” roupas para o modelo baseado em “alugá-las”.

No momento em que uma peça é alugada, o consumidor compra sua utilidade ou os resultados que oferece (estilo, conforto, exclusividade, e assim por diante), em vez do item material em si. Um dos exemplos mais frequentes de aluguel de roupa é o dos trajes formais, como um vestido de festa. Neste caso, o consumidor aspira a elegância emitida pela peça, não a posse definitiva dela.

Esse breve distanciamento do uso individual em direção a utilização compartilhada tem a capacidade de minimizar a quantidade de peças confeccionadas. Desta forma, os sistemas de aluguel operam para romper a relação predominante de “uma peça para uma pessoa” que descreve a maior parte das nossas experiências de uso das roupas. A ideia é ampliar o número de consumidores desfrutando de uma peça para que os recursos que a compõem sejam aproveitados ao máximo. Essa relação pode ser transformada a partir do momento em que uma pessoa se desvincula de um item adquirido, seja vendendo, alugando ou fazendo uma doação.

O compartilhamento de roupas – conceito da economia colaborativa, que segue ao encontro do consumo consciente – torna-se gradativamente forte. Considerando essa lógica, cada vez mais aparecem projetos de guarda-roupas compartilhados que operam como lojas. O modelo de negócio é geralmente comparado a um “Netflix de roupas”. O consumidor paga uma assinatura mensal para ter acesso a todas as peças do acervo, seleciona os itens conforme o plano escolhido e assume o compromisso de devolvê-los limpos no prazo estabelecido. Existe, também, um sistema semelhante, onde as roupas circulam por meio de trocas e o cliente pode adquirir as peças.

Selecionamos algumas lojas que trabalham com o sistema de guarda-roupa compartilhado. Confiram!

BLIMO – Biblioteca de Moda (São Paulo/Santos): A BLIMO oferece o serviço de guarda-roupa compartilhado mediante uma assinatura mensal onde o prazo é determinado pelo cliente e a cobrança realizada na data em que foi feita a adesão, caso a assinatura seja cancelada não há multa. Possuem também a opção de locação de peças avulsas. O cliente pode permanecer com as roupas durante o período de até dez dias ou trocar de peças conforme estabelecido no plano escolhido. A BLIMO Santos oferece uma assessoria no qual o cliente pode combinar suas peças com as do acervo da loja. As opções de planos são diferentes da unidade de Santos, a loja a aceita doações em troca de aluguel avulso e aluga vestidos de festa.

Site: https://www.blimonline.com.br/

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Moeda de Troca (São Paulo):  A Moeda de Troca é um clube onde os associados trocam roupas entre si por meio de um sistema de pontos que funciona como uma moeda virtual. Para utilizar o serviço da loja o cliente deve contratar um pacote de acesso no qual permite o cadastramento de suas peças, o mesmo define a pontuação de cada item e tem um prazo de até noventa dias para realizar as trocas. As roupas ficam disponíveis e quando alguém as adquiri, o cliente acumula pontos em seu cartão de associado para aquisição, bem como, no momento da avaliação. Os planos definem quantas peças podem ser cadastradas e os pontos não expiram, podendo ser usados sempre que o pacote estiver ativo. Após o período de doze semanas o associado recebe 50% do valor em pontos caso as peças não sejam adquiridas. O acervo conta com roupas femininas, masculinas, infantis e acessórios.

Site: http://mdetroca.com.br/

Brilhe e compartilhe (São Paulo): A Brilhe e Compartilhe promove o compartilhamento de vestidos de festa e também os serviços de venda e aluguéis a preços fixos. Basta fotografar o vestido de festa que deseja desapegar e enviar para o e-mail indicado com a data de compra e tamanho, a peça será avaliada por uma consultora de moda e o retorno será feito em até sete dias. Após a aprovação basta agendar um horário para levar os vestidos até a loja e acertar todos os detalhes do contrato. A cliente ganha um voucher sempre que sua peça for compartilhada ou vendida, podendo ser trocado em roupas casuais vendidas pela Nikkey Formosa ou em desconto nos vestidos de festa.

Instagram: @brilheecompartilhe

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Por Helen Felix

Modéstia é um estilo de vida, não um estilo de roupa

Não raramente, quando nos interessamos pela virtude da modéstia e decidimos nos debruçar sobre o assunto, encontramos uma infinitude de material a falar sobre as vestes. No entanto, por mais que nossas vestimentas importem, acabaríamos por empobrecer a modéstia, uma virtude tão nobre, se a restringíssemos apenas a isso.

A modéstia, por definição, está estreitamente relacionada com a temperança e diz respeito a moderação dos atos exteriores – gestos, palavras, olhares, vestimentas, etc. Ora, a forma como nos comunicamos com o restante do mundo depende de nossos atos exteriores. Logo, a forma como vivemos ou não a modéstia demarca grandes traços de nossa personalidade e, por assim dizer, do nosso estilo de vida.

Não sei se faz sentido para vocês, mas dito isso, uma abordagem que resuma a modéstia a uma série de regrinhas sobre vestimenta, não parece ter entendido ainda com profundidade o que ela significa.

É claro que faz parte da modéstia conhecer os limites e desejar permanecer dentro deles, inclusive em relação a roupa. Também é sabido que, pelo bom-senso e prudência adquiridos pela virtude, construímos melhores critérios sobre, por exemplo, até que ponto altura uma saia ou tamanho de um decote está apropriado ou não. Mas perceba: isso deve ser apenas um dos pontos de mudança e não a sua totalidade. O desenvolvimento de critérios cada vez mais confiáveis faz parte de um processo de amadurecimento como um todo e não pode ser resumido a meras regrinhas.

Faço um parêntese aqui para observar que esse grande enfoque na vestimenta se assenta na motivação genuína de que seria necessário reforça-la frente a uma sociedade desregrada como a nossa. Um sociedade onde o senso de pudor foi de tal forma desconstituído, desestimulado desde a terna infância, que para muitas pessoas – homens ou mulheres – é praticamente impossível compreender a importância da modéstia e, consequentemente, desenvolver critérios minimamente sensatos.

O intento desse texto não é, portanto, criticar que muito se tenha falado sobre vestimenta quando o assunto é modéstia – até porque nosso próprio blog Miss Modéstia tem dado esse enfoque –, mas sim alertar que a modéstia não se resume a isso. Quem está disposto a viver a modéstia com seriedade, tem que ter ciência de que só se é possível quando aliada com a busca de várias virtudes conjuntas e que isso impacta sua vida como um todo. Estamos falando aqui da sua forma de se relacionar com o próximo, como conduz suas amizades e relacionamentos, os ambiente que você frequenta, etc. Você está disposto?

Se sim, proponho primeiro é que você faça uma autoanálise sobre a motivação que leva você a querer viver a modéstia. Qual sua intenção? Se a resposta for algo do tipo “porque quero ser aceito em determinado grupo”, “porque mandaram”, “porque me sinto bem”, “porque me sinto bonita”… Sinto dizer que essas motivações podem até ser um bom ponta pé inicial, mas são medíocres, insuficientes.

É preciso mais. É preciso regenerar nossa intenção (continuamente), pois antes de viver uma modéstia externa, é fundamental viver a modéstia interna. Até porque o ato exterior é decorrente do ato interior da vontade. Quão paradoxal seria, por exemplo, viver a modéstia por vaidade. Ou quão superficial seria buscá-la por conveniência.

A principal motivação deve ser apenas uma: o amor. Sim, pode soar um tanto trivial, mas é exatamente isso. A modéstia, assim como a castidade, só faz sentido quando direcionadas à vivência da caridade: uma busca pelo amor ordenado e purificado do egoísmo, que inclina-se à doação perante o ser amado. Quando assim assimilada, a modéstia implicará, então, em um processo de aquisição do domínio de si.

Na realidade, o modo como vivemos a modéstia, antes de qualquer outra decorrência, diz muito sobre a nossa forma de amar. É sobre este ponto que pretendo discorrer melhor no próximo texto. Até breve!

Dica de leitura: Pobreza e Grossura – Olavo de Carvalho

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Olavo de Carvalho é uma figura polêmica. Sua forma de se pronunciar, sobretudo nas redes sociais, divide opiniões: há quem o ame e quem o odeie. Sabendo o que sei hoje, a segunda opção é impossível. Eu o considero um mestre no sentido original da palavra em latim, magister, derivada do advérbio magis, que significa “mais que”. O mestre, na Roma antiga, estava acima dos outros por seus conhecimentos e habilidades, e era quem instruía os aprendizes, seja militarmente, em conhecimentos sobre cavalaria, ciências, filosofia etc.

Este homem, além da enorme quantidade de conhecimento acumulado, tomou para si a tarefa hercúlea de instruir e formar uma elite cultural no Brasil, e o faz com maestria há décadas. Por ter denunciado a doutrinação cega e o desaparecimento do estudo sério no país, sobretudo nas universidades, foi posto na lista negra da intelligentsia nacional; que, cientes de não possuírem a capacidade de refutá-lo, preferiram calar a seu respeito, boicotando seus trabalhos, relegando-o para que sua obra caísse no esquecimento. O professor mudou-se para Virginia – EUA e, de lá, continuou sua tarefa de denúncia do mau-caratismo de seus opositores e de formação dessa elite intelectual e cultural. Por isso, é considerado por muitos o pai da nova direita nacional.

Como já disse, considero-o um mestre. Através dele, pude conhecer a obra de Eric Voegelin, Hugo de São Vitor, Ludwig Von Mises, José Ortega y Gasset, Mário Ferreira dos Santos, Viktor Frankl, José Geraldo Vieira e outros, tantos outros. Para ele, o ser humano só chega a fazer verdadeira filosofia quando se confronta com a realidade, seus problemas concretos e, munido do conhecimento produzido pela elite intelectual mundial, consegue analisar corretamente os dramas humanos. Você pode até não gostar dos palavrões que ele diz aos montes, seu hábito de fumar e sua agressividade (sempre justa, é preciso que se diga) com os adversários, mas, se der uma chance à sua obra, mesmo que a uma ínfima parte dela, compreenderá que, goste ou não goste, ele é um ser digno de respeito e admiração.

A dica que dou hoje é de um texto escrito para a Bravo! em 2000, Pobreza e Grossura. É um breve ensaio sobre a dignidade humana, mesmo diante da pobreza, e a obrigação moral que temos de ajudar a todos, sobretudo aos mais necessitados. Foi meu primeiro contato literário com o material de Olavo de Carvalho e me fez ver a docilidade por trás da figura que tinham montado dele. Como podia um homem que escreveu com tanto amor sobre a caridade e a necessidade de ajudar o próximo ser tão grotesco quanto diziam? Não, algo estava errado, e era o preconceito que eu tinha a seu respeito. Esse texto me tocou, e eu, humildemente, o sugiro agora a vocês, como sugiro, também, toda a seção “Pobreza”, contida em O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota. Eis aí um trecho do artigo:

“Vocês querem educar o pobre “para a cidadania” e começam por lhe negar o direito de gastar o próprio dinheiro como bem entenda? Querem educá-lo sem primeiro respeitá-lo como um cidadão livre que atormentado pela miséria tem o direito de encher a cara tanto quanto o faria, mutatis mutandis, um banqueiro falido? Querem educá-lo impingindo-lhe a mentira humilhante de que sua pobreza é uma espécie de menoridade, de inferioridade biológica que o incapacita para administrar os três ou quatro reais que lhe deram de esmola? Não! Se querem educá-lo, comecem pelo mais óbvio: sejam educados. Digam “senhor”, “senhora”, perguntem onde mora, se o dinheiro que lhes deram basta para chegar lá, se precisa de um sanduíche, de um remédio, de uma amizade. Façam isso todos os dias e em três meses verão esse homem, essa mulher, erguer-se da condição miserável, endireitar a espinha, lutar por um emprego, vencer.”

Esse texto pode ser facilmente encontrado na internet (aqui) e foi reproduzido em O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota. A seção Pobreza é composta de outros três ensaios: Aprendendo com o dr. Johnson, Direitos e pobreza e Um paralelo entre Eric Voegelin e Lula.

Deus nos abençoe sempre,

Ana.

Processo de desenvolvimento de Coleção – TCC de Moda Festa inspirado no Biodesign do Pau-Brasil

Olá, Misses!

Hoje vou compartilhar com vocês como foi o processo de desenvolvimento do meu TCC, espero que gostem e sirva como inspiração!

O meu projeto foi uma coleção de moda festa inspirada no biodesign do pau-brasil. A primeira etapa consistiu na busca por referências ligadas ao biodesign, tanto do pau-brasil, quanto de estilistas que tomaram a natureza por inspiração.

Visando conhecer a espécie mais a fundo, realizei pesquisas de campo e na internet. Visitei a trilha do pau-brasil, situada no parque da água branca, e lá foi possível conhecer a história da árvore, observar os diversos estágios de crescimento e comparar com as outras árvores plantadas em alguns pontos da cidade, bem como com as imagens coletadas em sites.

Pesquisa em mãos, o próximo passo foi definir como o pau-brasil ganharia vida nesse projeto e quais seriam os recortes a serem utilizados. O trabalho manual foi escolhido para representá-lo, dando um caráter único a cada peça. Já o tronco, as folhas e as flores foram as três referências selecionadas para trabalhar.

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Quando jovem, o tronco possui acúleos (falsos espinhos), que recobrem também os galhos, mas diminuem sensivelmente com a idade da planta. Na fase adulta, esses acúleos destacam-se com a queda de placas da casca. Os estágios foram representados buscando retratar as características mais marcantes de cada um.

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Há indicações da existência de pelo menos três variedades da Caesalpinia echinata Lam no Brasil, que se diferenciam basicamente pelo tamanho das folhas. As espécies foram traduzidas pelo tamanho das folhas, quantidade de folíolos e pinas.

As flores do pau-brasil são amarelo-ouro e cada uma possui cinco pétalas longas, sendo que em uma das fases apresenta uma mancha vermelho-púrpura. Elas foram bordadas de acordo com a quantidade de pétalas, formação e exibindo o traço que visualmente as diferenciam das outras espécies – a mancha.

Além do biodesign, a coleção foi planejada com base em uma identidade de marca, que visa à produção de peças únicas, distintas e versáteis, compondo a beleza da mulher feminina em diversas ocasiões especiais. Sendo assim, a escolha da matéria-prima utilizada e todo o processo de criação foram feitos para conceber roupas que se diferenciassem das oferecidas atualmente, como proposta de uma moda festa que não entrasse em desuso rapidamente, mas estivesse presente em muitos momentos, assim como outras peças especiais existentes no guarda-roupa feminino.

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A pesquisa de materiais, fornecedores, desenhos dos modelos e bordados e todo o processo de confecção fazem parte das etapas onde as ideias saltam do imaginário e começam a tornar-se realidade.

Assegurando a proposta de versatilidade, a cartela de cores foi definida considerando as preferências no segmento de moda festa, já os vestidos de comprimento longo, como costumam ser marcantes, foram confeccionados com acessórios bordados, podendo ser retirados, usados de outras formas ou até mesmo em outros modelos.

Essa coleção é uma homenagem ao Brasil, mais especificamente à árvore que deu nome ao país. Foi um processo de rico aprendizado, tanto sobre criação e desenvolvimento de moda festa, quanto ao Brasil, suas histórias e o quão é inspirador.

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Gostaram de saber como funciona a criação de uma coleção e sobre o pau-brasil? Estou à disposição para esclarecer qualquer dúvida quanto ao processo e sobre a pesquisa acerca do pau-brasil.

As peças estão à venda, caso tenha interesse é só entrar em contato por meio do e-mail atelierf18@gmail.com.

Por Helen Felix

Organização pessoal: dicas práticas.

 

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Às vezes, tenho a impressão de que o dia foi super cheio, eu corri de um lado para o outro durante horas a fio e, mesmo assim, não consegui dar conta de tudo. Aí, eu vejo mulheres que, mesmo com trabalho, filhos e uma casa para cuidar, ainda conseguem preparar aulas, fazer cursos e pensar em empreendimentos que ajudem com as despesas de casa. Tenho vontade de perguntar se elas alugam o viratempo, rs.

Creio que não estou sozinha nesse desabafo. Mas, à medida que vou amadurecendo – e a Obra me ajudou muito nisso –, vejo que existem algumas palavras-chave para conseguir dar conta de tudo, sem chegar ao final do dia com aquela taquicardia e a sensação de que as tarefas estão me afogando. Uma delas é milagre organização. Santo Agostinho definiu a ordem como “uma disposição de coisas iguais e desiguais, que dá a cada uma o seu lugar”. Isso já nos dá um norte.

Tá, Ana, eu já sei que tenho que ser organizada, mas COMO, CRIATURA???“. Agora, antes que vocês comecem a me odiar, vou dar algumas dicas de como eu consegui dar conta da maioria das coisas. Vamos lá:

1. PARANDO DE TER PENA DE MIM MESMA (OUCH!)

Melhor do que eu para enfiar isso em vossas cabecinhas é o @italomarsili. Sério, o cara tem cinco filhos, atende pacientes o dia todo, faz crossfit, dá cursos, escreve livros e ainda responde as bobagens que nós perguntamos no instagram.

Dica: Os livros Os quatro temperamentos na educação dos filhos, do Dr. Italo, e Em busca de sentido, do Victor Frankl (te desafio a não chorar lendo esse).

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Acho que essa dica é a segunda mais difícil de colocar em prática. No final de 2016, eu estava infeliz com o meu corpo, cheia de dores na coluna, vários prazos pendentes no trabalho, e eu só conseguia inventar desculpas para o meu modo de vida. Ora o problema eram os meus chefes, ora minha família. Só quando eu disse a mim mesma que eu, e mais ninguém, era responsável pela realização dos meus objetivos, e que ninguém, ninguém me devia nada, é que eu tive ânimo para sair do mundo imaginário que eu tinha criado e começar a migrar para o mundo real. Dói, não é muito bonito, mas mudou minha vida. A verdade é que nossa geração está mal acostumada. Na nossa idade, nossas avós já tinham vários filhos, ensinavam todos a ler e ainda cozinhava de um jeito que nós nunca conseguiremos.

2. MINUTO HERÓICO

O minuto heróico. – É a hora exata de te levantares. Sem hesitar: um pensamento sobrenatural e… fora! – O minuto heróico: aí tens uma mortificação que fortalece a tua vontade e não debilita a tua natureza. (Caminho. 206)

 

Esse é o ponto mais difícil, pelo menos para mim. Aqui, não vale a função soneca, olhar o instagram, o facebook, o gif de bom dia que sua tia mandou no grupo da família. Levantar de uma vez, sem enrolação e sem apego ao quentinho da coberta na mesma hora, todos os dias, tem efeitos a curto, médio e longo prazo.

Curto: seu dia vai render mais sem aqueles quarenta minutos perdidos.

Médio: você vai habituar seu corpo à constância e conseguir controlar seus impulsos com mais facilidade. Esse é o pouco de estoicismo que não faz mal a ninguém.

Longo: toda mortificação pode ser oferecida a Deus. Se você é católica, ofereça pela conversão dos pecadores, pela sua santificação, pela melhora no seu trabalho. Sendo ou não, diga a Jesus que você o ama e quer que, através desse controle físico, Ele te molde. Se você conseguir perseverar por alguns meses, vai ver como a pena de si mesma vai diminuir, e como vai ficar mais fácil controlar a língua, por exemplo.

3. ESTABELECENDO UM HORÁRIO PARA CADA COISA

Aqui, a palavra-chave é R-O-T-I-N-A. Ter horário para acordar, para tomar café, para trabalhar e, principalmente, para nossas diversões. Não é porque eu gosto de ler que posso me atrasar para buscar minha mãe em algum lugar (ou posso, se quiser ser deserdada, hehe). A dica é ver quantas tarefas você tem em um dia  e ler, conversar com as amigas, olhar o instagram etc também são tarefas e procurar estabelecer as prioridades, o que leva mais tempo, o que pode ser feito imediatamente e o que é uma construção longa.

Vontade. – Energia. – Exemplo. – O que é preciso fazer, faz-se… Sem hesitar… Sem contemplações. (Caminho. 11)

 

4. ANOTANDO TUDO

Essa é a regra de ouro para quem quer começar E TERMINAR as coisas. Pode ser na agenda do celular, no planner ou num bloquinho de papel (só não vale dizer que anotou no coração, hehehe). À noite, perto da hora de dormir, eu pego minha agenda e preparo o dia seguinte: hora de acordar, de tomar banho, de ver o blog, ir para o treino, conversar com meu namorado, ficar com meus pais. Desenvolver o hábito de anotar faz com que as preocupações saiam da nossa cabeça e sigam para o papel. É aí que você organiza melhor as ideias, respira fundo e consegue enfrentar o dia mais facilmente.

5. REZANDO

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Há alguns milênios, homens simples perguntaram “mas então, quem poderá salvar-se?”, e um Homem magnífico respondeu “aos homens é impossível, mas a Deus tudo é possível”.

Quando eu vejo essas mães, católicas ou protestantes, que têm famílias numerosas e conseguem ser elegantes, empreendedoras, cheias de garra, ou pessoas que deixam tudo para fundar uma comunidade, ajudar pessoas do outro lado do mundo ou no bairro carente da cidade onde moram, tudo o que eu consigo pensar é que tudo quanto elas fazem tem um motivo maior por trás e, portanto, um auxílio. Se você está visitando este blog, provavelmente já sabe que o motivo pelo qual buscamos ressaltar a dignidade feminina é dar maior glória ao Senhor. Ele é nosso Pai, que nos ama e espera ansiosamente que peçamos várias coisas, principalmente que ele nos mude.

“Fizeste-nos, Senhor, para ti, e o nosso coração anda inquieto enquanto não descansar em ti.”

A dica de ouro verdadeira, real oficial, o pulo do gato, portanto, é pedir a Deus que nos faça mulheres disciplinadas, organizadas e no controle das nossas emoções. Se você pedir constantemente, e for dócil aos meios que Ele puser (que podem ser simples ações do cotidiano, como terminar bem as tarefas difíceis que aparecerem), você mudará. “E tudo o que pedirdes em oração, se crerdes, recebereis”. Além do tempo de oração pessoal, eu costumo utilizar algumas jaculatórias durante o dia, como “Senhor, se quiseres, podes mudar-me” ou “Domine, ut videam” (Senhor, que eu veja). Todo o esforço humano que eu emprego em prol de ser ordenada, por valoroso que seja, não teria mostrado tantos resultados positivos, não fosse a graça divina. Rezem, rezem muito, e peçam a Deus que as façam ordenadas para auxiliarem no aperfeiçoamento do mundo.

Bônus: amar a rotina, uma mudança de perspectiva.

Talvez, por influência do romantismo (alô, Hollywood!), muitas de nós tenhamos crescido com a sensação de que a rotina esmaga a criatividade e a alma, mas não é assim. Foi a rotina que permitiu ao homem se estabelecer em um lugar, plantar, construir, preparar a civilização. As grandes catedrais foram construídas por pessoas que, pacientemente, dia após dia, trabalhavam nelas. São José e Nossa Senhora, salvo a ida ao recenseamento e a fuga para o Egito, tiveram uma vida de trabalho árduo e diário, como vários monges, freiras, pais e mães e, no entanto, quem poderá dizer que eles não encontraram a felicidade nisso?

Se sabemos para onde estamos indo, ou seja, se temos noção de quais são os nossos objetivos, ter uma rotina é uma ferramenta valiosíssima, que merece ser estimada. Se queremos uma carreira jurídica, os anos que passarmos estudando serão difíceis e cansativos, mas, se focarmos na aprovação, eles serão melhor suportados. Assim é também com a construção de uma empresa, a educação de um filho, cursar uma boa faculdade. O acúmulo significativo, material e imaterial, só pode ser feito dia a dia, todo dia um pouco. Assim é com o caráter, assim é com a ordem.

Mudar o modo de encarar as tarefas ajuda. Não vá dormir pensando que, infelizmente, vai ter que acordar cedo no outro dia, mas se anime: cada novo dia traz novas possibilidades. Não pense que é ruim ter que arrumar a casa, mas fique grata pela possibilidade de se mexer, ver os móveis limpos e no lugar. Não pense que ler para o seu filho é cansativo, entenda que essa experiência com ele é um dos alicerces para o bom relacionamento entre vocês. A vida é dura, de fato, é com o suor do nosso rosto que conseguimos o nosso sustento, mas abraçar o que é concreto, palpável, que está fora da nossa mente e inserido na realidade nos torna mais fortes. Ame seus horários, seus planos, os procedimentos cotidianos, e ter ordem não vai parecer impossível, vai parecer indispensável!

Espero ter ajudado. Qualquer dúvida, entrem em conosco, com carinho, Ana 😉

12 situações que só quem busca se vestir com modéstia entende

Sabe aquelas situações recorrentes na vida de quem busca se vesti com modéstia? O nosso blog fez uma seleção de gifs para encará-las de forma bem descontraída:

1. Quando você passa a entender a modéstia e olha para seu antigo guarda-roupa.

  1. bloggif_58d7cfee21604“Não tenho absolutamente nada para vestir”

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